quarta-feira, dezembro 12, 2007, posted by Ricardo at 11:31 p.m.
Um ano passado a olhar para o rio, tantos pedaços que passaram diante de mim, estou de volta um ano depois ao mesmo lugar, sentado, conformado com a existência que me rodeia e da qual anseio sempre mais. Volto a escrever quando a cabeça volta a latejar de velhas recordações, um ano passou, tantas coisas mudaram, tantas outras se mantêm tristemente iguais. As ideias florescem, o corpo não reage, as viagens continuam, a percepção do desconhecido e do longínquo aumenta, o conhecimento adquire-se, as incertezas e as dúvidas crescem, conheço cada vez mais e melhores pessoas, mas o sentimento de solidão não passa, aumenta, como uma força dentro de mim. Dão-me a mão mas não a agarro, iludo-me a pensar que posso agarrar uma outra, quando essa por vezes não passa apenas duma ilusão. Tenho a alma presa, perdida num negrume criado por falsas esperanças, traições amistosas, falsas confissões, interesses e punhaladas nas costas. Não me consigo libertar, não me consigo esquecer, encontro-me aprisionado nos meus pensamentos mais negros, escurecendo a vida que me rodeia, entristecendo o que deveria ser feliz. Não consigo por ora, reconhecer tudo de bom o que tenho, faltam-me forças para avançar, apetece-me somente ficar escondido neste meu covil, quieto e sossegado à espera que a tua mão me venha buscar, sem contudo saber que rosto posso esperar…