quarta-feira, dezembro 12, 2007, posted by Ricardo at 11:31 p.m.
Um ano passado a olhar para o rio, tantos pedaços que passaram diante de mim, estou de volta um ano depois ao mesmo lugar, sentado, conformado com a existência que me rodeia e da qual anseio sempre mais. Volto a escrever quando a cabeça volta a latejar de velhas recordações, um ano passou, tantas coisas mudaram, tantas outras se mantêm tristemente iguais. As ideias florescem, o corpo não reage, as viagens continuam, a percepção do desconhecido e do longínquo aumenta, o conhecimento adquire-se, as incertezas e as dúvidas crescem, conheço cada vez mais e melhores pessoas, mas o sentimento de solidão não passa, aumenta, como uma força dentro de mim. Dão-me a mão mas não a agarro, iludo-me a pensar que posso agarrar uma outra, quando essa por vezes não passa apenas duma ilusão. Tenho a alma presa, perdida num negrume criado por falsas esperanças, traições amistosas, falsas confissões, interesses e punhaladas nas costas. Não me consigo libertar, não me consigo esquecer, encontro-me aprisionado nos meus pensamentos mais negros, escurecendo a vida que me rodeia, entristecendo o que deveria ser feliz. Não consigo por ora, reconhecer tudo de bom o que tenho, faltam-me forças para avançar, apetece-me somente ficar escondido neste meu covil, quieto e sossegado à espera que a tua mão me venha buscar, sem contudo saber que rosto posso esperar…
 
quarta-feira, novembro 29, 2006, posted by Ricardo at 8:30 p.m.
O despertador toca, as mantas que me aquecem confortam o meu corpo, não me levanto, por instantes fico a deleitar-me com o quente que o meu corpo se encontra enrolado, combatendo o ar frio que permanece no quarto onde pernoitei. Por fim a responsabilidade torna-se mais forte, momentos de introspecção são interrompidos por imposições profissionais que me fazem dirigir até à cidade costeira que têm uma ponte de nome Eiffel mas cuja circulação se encontra cortada. Tão bela que é, uma amalgama de ferro cruzado em ângulos simétricos que se espalham entre as margens do rio. Rumo ao centro da cidade, aspectos comuns, a maioria dos pontos a que me tenho de deslocar situam-se próximo dos chamados centros históricos das cidades que visito, outro aspecto, o empedrado reina no lugar do alcatrão, milhares de pequenas pedras de calçada, colocadas individualmente por certeza, por mãos experientes, constituem trilhos únicos a percorrer. Cidade pacata, vêm me à cabeça, os primeiros contactos revelam isso mesmo, gente calma e afável, disposta a colaborar. Após as minhas tarefas deambulo, a pé e sozinho por entre as principais ruas daquele aglomerado, já visível, o porto marítimo cativa a minha atenção e rumo, estas construções sempre me fascinaram, pequenos barcos, navios e até um cruzeiro encontram-se atracados, encostados a mais um pedaço de cimento, parecem-me tristes ali, o quão se eles pudessem e tivessem esse direito, poder desatracar e atravessar mares, deambulando na ondulação que por certo fora deste abrigo os havia de esperar.
A meio da tarde o trabalho ali está concluído, dirijo-me a um local que me chamou a atenção, um monumento que se encontra no topo de uma colina, a qual verifiquei que detinha dois miradouros. Sou um amante deste tipo de locais, adoro a beleza que transparece de uma visão aérea e ampla de um qualquer local aprazível à vista. Percorro uma estrada sinuosa, as curvas enrolam-se mais à medida que subo, a visão é magnífica, paro, aprecio a vista, o mar desperta a minha atenção, a paisagem é maravilhosa, o mar que espuma junto à costa, limita a construção e disposição dos edifícios térreos, nada de grandes construções, ao lado de uma planície cheia de verde, que belo, nunca antes tinha visto, pelo que me recordo, tanto verde mesmo junto ao mar. Adoro o mar, principalmente no Inverno quando não existe ninguém dentro dele a banhar-se, dirijo-me até à costa, praia do norte indicam as placas, chegado lá sou invadido por um bem-estar único nestes dias, liberdade, irrequietude, perigo transparecem de um mar revolto. Sinto isto também dentro de mim, o som constante e característico das ondas a bater, melodia infindável que desgasta aquilo com que se cruza, tem em mim efeito contrário. Rejuvenescido, tal seu poder, parto de novo à conquista da estrada, cidade dos arcebispos é de novo meu destino, lá descanso e preparo novo dia, em residência bondosamente cedida para meu uso pessoal. O caminho a fim de experimentar novas vistas e fugir à regularidade das auto-estradas, torna-se escuro e difícil de cruzar, a chuva teima em cair desfocando a minha visão, as nuvens ajudam ao rápido escurecimento do céu, a vegetação adensa-se, como que enrolando estrada e veículos que lá passam, é assustador, mas não me perturba. Tasco característico de nome “Penalty”, bola meio vazia, meio cheia em cima da televisão, indivíduos peculiares, copos de tinto existem e perecem rapidamente, eu acompanhado duma imperial vejo o S.L.B. marcar três golos, já existe cumplicidade entre os que se encontram no estabelecimento, comentam-se futilidades. Jantar, casa, dormir.
 
domingo, novembro 26, 2006, posted by Ricardo at 7:25 p.m.
Despertar atribulado uma hora antes do despertador soar, apesar de ser noite serrada o sono tende a ausentar-se. Rotina habitual, as manhãs em casa são sempre iguais entre si, ao primeiro rodar da chave do carro, soam as primeiras noticias, olho a volta, o sol ainda não despertou, entranho aquele ambiente, há muito que não o vivia. Trezentos quilómetros mais, de alcatrão, linhas brancas e algumas paragens para esticar as pernas, enganar o sono que teima a acentuar-se sempre que o sol espreita por entre “blocos” de nevoeiro que resistem nas zonas mais baixas. Parecem barreiras, tal a rapidez e concentração com que aparecem, deixo de alcançar com a vista, fico limitado, mas não me preocupo. Na chegada à cidade invicta estou rodeado por mais uma porção de um nevoeiro espesso, mas desta vez ele prolonga-se, o sol deixou de espreitar, a ansiedade aparece, aquilo que me envolve parece demasiado sombrio, a chuva começa a bater no carro, o coração acelera, acalmo-me, pressinto algo mas não há-de ser nada. Chegado a meu destino materializo as minhas tarefas, na interacção forçada com os outros sinto o seu desdém, riem-se entre si quando falam do nível de instrução, dizem-se em vós alta “licenciados”, não passam de primitivos com pouca escolaridade e muita instrução de tasca, sinto a sua inveja a olhar para mim, no fundo desejavam estar ali no meu lugar, em pé perante muitos sem contudo vacilar. Almoço formal em mesa de penacho, regras imperam neste repasto, só me sento quando todos estão presentes, protagonizo os meus actos em consonância com o ritmo dos demais, sou avisado aquando a sobremesa, não posso fazer esperar quem se quer levantar, despacho-me, como o ultimo pedaço com a casca, levantando-se todos de seguida. Boa conversa após almoço, dicas de liderança, o ténue equilíbrio entre o comando e ordens e a democracia aparece como tema principal.
Viagem até a cidade dos arcebispos, pensamentos flúem tal como o alcatrão debaixo da borracha quente dos meus pneus, sinto-me sozinho, quero voltar para casa, mas não posso, não posso começar já a fraquejar, tenho que ser forte, ultrapassar momentos, aproveitar a experiência. Aquando a chegada vejo a linha de comboio, lembro-me dum momento que passei, no qual transportei no meu carro, na altura desconhecidos, Miguel, João e Carina, hoje em dia, após muitos trilhos percorridos, todos eles me marcaram, de diferentes formas tenho que o afirmar. Irmandade, surpresa e desilusão respectivamente.
Visito o pólo universitário do minho, procuro o departamento de sociologia, pergunto a alguns onde o posso encontrar, sou encaminhado a uns edifícios que se erguem numa colina que se estende num espaço escolar imenso, milhares de passos são necessários para atravessar aquilo que percorri, encontro finalmente o dito departamento, procuro o núcleo de estudantes, encontro um membro, rapariga que me faz lembrar uma que conheço e quem tenho grande carinho, têm um aspecto visível muito similar, algo básico mas preponderante. Trocamos ideias, tento obter variadas informações, despeço-me, vou lanchar, procuro um bar, encontro um espaço agradável o qual já conhecia na minha ténue passagem anterior por esse complexo.
Jantar calmo, estilo self-service, casa, dormir.
 
, posted by Ricardo at 7:07 p.m.
Nas últimas quatro semanas tive o prazer de cruzar o país inteiro, percorri os 18 distritos continentais, viajando milhares de quilometros, relacionando-me com centenas de pessoas diferentes entre si. Foi uma experiência única, das mais enriquecedoras que passei. Interagir todos os dias com uma realidade e uma envolvência diferente pode ser duro psicológicamente, mas aquilo que aprendi e interiorizei nesta minha viagem valeu tudo mais.
Percorri sozinho trilhos desconhecidos, o tempo que deste modo vi correr, fez-me pensar muito, revi quase que a minha vida toda, questionei a actual vezes sem conta, fiz promessas, defini objectivos, sonhei mais um bocado, escrevi algumas coisas. Tentei criar uma espécie de diário, actualizado nas noites sós que passei, com medo de no futuro estas recordações se me apagarem da memória materializei algumas ideias e factos que se passaram, alguns deles divulgarei aqui neste meu antro pessoal.
 
quarta-feira, setembro 06, 2006, posted by Ricardo at 7:48 p.m.
Estou a engraxar os sapatos, são 23h e a minha cabeça encontra-se entorpecida pelo calor que me afectou e pelo álcool que compunha as cervejas ingeridas. Tento recuperar o brilho que resplandecia dos sapatos enquanto eram novos, em poucos minutos vou consegui-lo, um instante apenas será suficiente.
Este instante parece-me muito tempo, as pessoas mudam em menos, novas oportunidades aparecem a qualquer hora, passamos a agir de forma diferente em minutos, arriscamos em poucos segundos.
Tenho vivido muitas alterações repentinas, algumas vezes por mim provocadas, seguindo instintos, decidindo em segundos, agindo em menos. Muitas coisas boas têm me acontecido, as más deixam marcas, trazem à “tona” as antigas, muita coisa parece igual, “dejá-vu” não, mas vejo acontecimentos estranhamente idênticos, oiço justificações parecidas, sinto algo similar ao que tenho sentido muitas vezes. Os instantes passaram, os anos até, mas nada alteraram, penso em mudá-los, “como o conseguirei?”, espero por instantes melhores, é mais fácil, será?
Esta incerteza toda provoca-me insegurança, no entanto tenho aprendido a agir perante ela, cada vez menos me afecta aquilo que me rodeia, aquilo que pensam de mim e aquilo que me fazem. Por outro lado a certeza das minhas acções dominam-me a mente, sinto a adrenalina a correr pelo sangue, sei agora aquilo que quero fazer e como o vou passar a fazer, é a altura certa para me aperfeiçoar, alterar alguns pormenores na minha pessoa, reagir a cada instante de forma mais dura porque a vida assim o exige. Deixo de sentir o corpo, estou excitadíssimo, a minha cabeça ameaça explodir, penso “tenho que me ir deitar, amanha acordo cedo, sem despertadores e sem que ninguém me chame, acordarei por mim num instante, sei-o”.
Deito a cabeça na almofada penso “apetece-me, apetece-me não, vou, vou destruir algo de belo”, fecho os olhos calmamente, adormeço.
 
terça-feira, setembro 05, 2006, posted by Ricardo at 8:08 p.m.
Porque acredito que uma imagem vale mil palavras e porque a onda de calor adormeçe-me o cérebro, aqui ficam alguns momentos que vivi nos últimos dois meses. Os que me acompanharam, aqueles que conheçi, aqueles que conheçi melhor, os locais que visitei e os novos hábitos temporariamente reproduzidos traçaram mais umas linhas da minha existência.
A minha casa durante 2 semanas

Laussane

Mont Blanc

Túnel do Mónaco (lindo!!!!!)

Esquiná-las com o Mikas em Albufeira (foto do cavalo)

O fim das férias e de uma grande viagem (foto do cavalo) Obrigado companheiro!

 
quarta-feira, julho 05, 2006, posted by Ricardo at 4:35 p.m.




 
quinta-feira, junho 22, 2006, posted by Ricardo at 10:35 p.m.
Cansaço, cansamento, s. m., canseira, s. f. Fadiga excessiva.”

O cansaço apodera-se de mim, o cérebro tende a perder a sua força. Sinto-me fatigado mentalmente. As preocupações, o trabalho e o raciocínio constante teimam em acabar com as últimas gotas de “combustível cerebral”. O físico mantém-se de feição, porém as ideias e as palavras tende a sair confusas, desvanecidas e trocadas. Sinto a cabeça a latejar, parece-me inchada dentro da cavidade cerebral, não a consigo descansar, há sempre algo que me preocupa e não me deixa relaxar. Porém não posso parar, comprometi-me para com um objectivo, um objectivo de “equipe”, a formação com quem tenho partilhado muito da minha vivência nos últimos tempos. Muitos são os bons momentos passados, porém a meta temporal traçada por nós parece caducar as mentes que lá andam, estamos confusos, por vezes não sabemos o que compomos e o que vamos concluir. Apetece-me descansar, só pedia 2 ou 3 dias fora daqui, porém não será agora que o vou fazer. Apetece-me desistir, mas não o vou fazer, por mim e por vós.

Desinteresse, s. m. Desapego, Abnegação”

O desinteresse voltou a imperar na minha mente. Perdeu-se o efeito de novidade, as esperanças desvanecem, os olhares não se cruzam, os sorrisos desapareceram, as suposições esfumam-se com o tempo. Tudo isto me parece repetitivo, já o faço há muito tempo, e por muitas vezes. Acaba sempre do mesmo modo, começo a fraquejar. Teima em não mudar, não sei o que fazer. O desinteresse apodera-se de mim. E está em mim quando me olham, e pensam em me “escolher”. Perco as forças, não consigo lutar mais…já lá vai muito tempo…já não consigo afigurar.